17 de fevereiro de 2012


Olá pessoal, mais um texo da séria "Lembranças de infancia". Ese fala de uma coisa que foi marcante na minha vida: meus paseios a Burarama, um distrito do interior de Cachoeiro. Curtam e comentem.
 
Lembranças de infância 4 – “Passeio em Burarama”


Tarde de uma sexta feira quente
Esse é o passeio que eu tanto esperava
Que grande ansiedade há dentro de mim
Meu coração inquieto não batia, pulava
Entro no ônibus e procuro um lugar à janela
Dali vejo minha mãe acenando
Seus braços de mim se despedindo
Seus olhos de longe me abençoando

Na estrada espero chegar
A ponte de madeira que gela a alma
Sobre o rio Itapemirim passamos
O barulho das tábuas me tira a calma
Vencido o desafio do medo, prossegue o caminho
Ainda me falta um tantão a seguir
Até que em fim surge em meio aos morros
O destino que de alegria me faz sorrir

Descendo do ônibus já vejo meus primos
Zé Luiz, Cezar, Josiano, Jucélio a me esperar
Ainda tem Josimar que depois de alguns anos
Nosso Senhor para o céu o iria chamar
Fomos juntos, os seis, até a casa simples
Nem bem me lavei já fomos jantar
Aquela comidinha simples feita com banha de porco
Mais tarde o colchão pra poder me deitar

De manhã bem cedinho íamos ao curral
Comprar leite tirado da vaca a pouco
O cheiro de esterco invadia-me as narinas
Respirar era difícil, deixava-me louco
Depois do café da manhã
Pegávamos no quintal minhocas pra pescar
O ribeirão lá estava com suas águas serenas
Que minhas pernas já se faziam molhar

O sol escaldante castigava o corpo
O Pocinho de cima, mais raso, a melhor opção
Pulávamos naquela água fresquinha
Horas ali. Ir embora? Quero não!
Mas não teve jeito. Pra casa seguimos
No alambique uma cana peguei escondido
A casca bem dura com o dente arranquei
Um doce sabor, o caldo escorrido

O domingo era o dia de buscarmos manga
No sítio distante, uma hora andando
Depois do almoço a tristeza já vinha
A hora de ir já estava chegando
Entrei no ônibus com o olhar distante
Olhei para traz, vi meus primos ali
Segui minha viagem sempre pensando
Burarama você me faz muito feliz

Um comentário:

  1. que belo

    é tão bom é tão triste lembrar da infancia.

    estou te seguindo.

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